Olhando assim, na minha frente o lago, meio pasmo nessa manhã já quente. Entre sombreados de nuvens e folhas verdes um parco sol que entre as frestas brilha. Olhando de dentro de mim, na volta do lago imagens que se agigantam, protegem e me oprimem. Meio pasmo assim, torpe, olhando o lago,olhando em volta. Nem percebi tua chegada, nem te reconheci, inconfundível tua estranheza, prazerosa tua presença. Manhã igual as manhãs de folga, caminhadas pelas trilhas que se arrastam até o lago, impulsivas e necessárias. Indo e vindo ao redor do lago como quem procura entre nuvens, copas e frestas de sol. Tem que haver um fato nessa procura que nada busca, apenas deixa levar o ser. Como se a água pudesse conter a emoção, e calma e tranquila segurasse tanta força. Olhava as nuvens e já começava a acreditar que faziam parte de cenários, pareciam as mesmas dos mesmos dias ali. Tudo tão como sempre que nem notei tua presença, sempre tão ausente nesses dias, que nem te reconheci, nem vi, apenas fui misturado as folhas verdes te sentindo. Sentimento de estranho já acostumado a nem perceber e sentir. Meio parido assim com essa vontade de ter no lago um pouco a mais. Sozinho ali esperante, sozinho ali me acompanhando de teu vulto esquivo e fortuito, que se fazendo saber o que via eu ali entre nuvens, folhas e sol. Nessa manhã tão diferente como esperada, estava ali meu complemento, fantasia e redenção. sozinho te achei me procurando, quem não se identifica, apenas sente quente, vertigem, presença. Todas as trilhas cruzadas levavam ao mesmo ponto, a margem do lago, na cabeça a margem oposta, nessa manhã a margem oculta, como se mergulhasse ao fundo e lá mergulhado te encontrasse, sem face exposta, e no mergulho, na vertigem dos teus braços, me encontrasse. Ao redor sombras difusas; visto de dentro de mim imagens bem definidas, tão esperadas e nesse momento, entre água, sol e verde, todo o corpo ali acomodado. Sem nome nos tratamos, apenas respiramos juntos nossa falta de ar; mais um pouco e fomos um só, entre as trilhas, que meio sem vontade, tortuosas nos levaram a ver, entre verdes e azuis nosso vulto detalhado, misturando nossas linhas, compactando nossas sombras, que nelas se formaram sombras tanto já definidas, esperadas nas manhãs de lago. Tal caminhada, por um tempo acompanhada, chega ao seu limite, duas sombras se formam com a separação de nossas linhas; continuamos mutantes que aos poucos se misturam entre as sombras de um e outro entre frestas de sol, verde cama e as nuvens como moldura. silenciosas se fundem para não testemunhar o que as trilhas levam para o lago. Como em outra manhã qualquer, levei-me assim, tranquilo e sedento, sonhador de sentimentos; nem mais percebo onde começam as sombras.
apenas tornar palavras em agrupamentos que me fazem sentido, diretas ou inversas, com sentidos que em nenhum dicionário sinalize.
