José Alencastro disse...
Esse tipo de notícia, da tragédia, me envolve; nem sei dizer, talvez um quê de masoquismo, algo mal resolvido. Foi assim com essa triste morte, fora de hora, absurda, carregada de dor aos pais, coisa que sou também; carregada de impotência e lacuna aos amigos, como me foi dolorido quando perdi subitamente meu melhor amigo, por um mal congênito que aflorou aos 40 anos. É meio constrangedor afirmar que chorei pelo João, que conheci exatamente porque ele deixou de existir. Poderia creditar a sua morte a fria estatística que, indiscriminadamente, atinge a todos. Normal para os dias de hoje; uma besta drograda, armada, inocentes em seu caminho e pronto, executada a tragédia. Até aí tudo tão assustadoramente normal. Mas nesse caso, somada a coincidência de ter filhos chamados de Jõao e de Pedro, a quem amo mais do que a tudo, tive a dor profunda de ler comentários sobre as notícias veiculadas na internet, e na própria página de scraps de Jõao, de pessoas que se assemelham a besta drogada e armada dessa tragédia; ferem e destroem, chacotam da dor, anulam a existência de um garoto pelo seu preconceito; triunfam e pisoteiam por sobre o corpo já não animado de João; alvejam os amigos de João; tripudiam da ferida aberta em Pedro e do coração que sangra do pai de João, da mãe de João. A tal besta drogada arrumou adeptos, bestas armadas de bytes e de neurônios entorpecidos da droga do preconceito; carniceiros cúmplices que ajudam a fazer sangrar o já seco corpo de João. Não o conheci, nem sabia de sua existência, mas digo com orgulho, amei o João desde que ele nasceu, e amarei-o cada vez mais, a cada nova besta que surja, a cada bala atirada, a cada palavra mal escrita. Viva João! Que se calem as bestas.

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