
Peguei quente ainda, meu último pedaço, ainda latente, sangrando.
Por toda parte haviam restos meus, carne e sonhos, palavras e silêncio.
Cada parte nada dizia, como se nunca tivessem conseguido formar um todo.
Somado os restos, as sobras, nada faria lembrar o quanto sangrei.
Queria reunir os destroços e dizer que um dia fui eu; olhei-os e vi cada dia da minha vida em pedaços.
Com clareza vi-me pela primeira vez;de forma clara estava eu ali, seccionado mostrando minha vida inteira.
Olhe esses restos, tão repugnantes como os sonhos que vivi.

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