sexta-feira, 19 de setembro de 2008

nada a fazer

cansei de te esperar
cansei de mim
cansei dessa dependência
cansei de olhar no espelho e ver nós dois
cansei, cansei

mas tudo bem
ainda tenho forças
resta em mim algo inexplicável
o sabor do resto
de chegar depois da hora
de ver tudo passar

sigo firme
entre minha indecisão e minha franqueza
entre meu passo marcado
descaso e cansaço
descubro o duplo
do nada
o todo 
do vazio
sigo de cabeça erguida em um corpo encurvado

corro e nem me atropelo
vou me largando para trás 
não preciso de mim para continuar
basta nem existir
é só continuar assim

queria gritar
gritar
gritar
mas não sei o que dizer
tenho medo que meu grito saia em choro
e baixinho
e sozinho
me arrependa

temos todo tempo
que acaba
que passa lento
já passado
em horas de atraso

nada temo
nem rezo
apenas velo
pelo dia de tua partida
pela criação da dor
pela minha perda

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